quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A racionalidade da razão



Os últimos acontecimentos da minha vida tem me causado um estranhamento e, às vezes, incômodo principalmente pela falta de naturalidade, de imprevisibilidade e de coincidências. Ao acabar de escrever isso não pude deixar de lembrar sobre o que um professor de filologia românica disse em aula em 2007: "Segurança e estabilidade são ideais de vida burguesa impostas pela sociedade. O ser humano é por sua natureza inconstante." Será que isso é verdade e por isso é tão difícil encontrar uma estabilidade e segurança e quando por fim encontramos não parece ser nada do que procurávamos? Eu arriscaria que a melhor resposta para o que a gente procura é a própria busca.

Percorrendo meu caminho cruzo com muita gente e muitos se destacam. Se destacam quando minha racionalidade aponta qualidades nessas pessoas, se destacam quando meu coração de alguma forma os torna especiais. Encontro almas dispostas a se doarem, às vezes não. Mas ao escrever isso eu tenho que me perguntar: "eu estou disposta?". Não importa para que seria essa disposição, porque a resposta é muito simples. Vida. O resto acontece sem que a gente faça qualquer esforço. Essa naturalidade é o que tem me faltado... Parece que estou procurando razão em tudo, ou pior que isso, agir sempre com razão e quando cheguei a essa conclusão tive que me fazer mais uma pergunta: "até que ponto a razão ajuda e em que pontos a razão atrapalha?"

Já dizia um sábio que "nada é perfeito porque a perfeição é monótona". Quando a gente age sempre com razão procuramos e conseguimos diminuir ao máximo os imprevistos que tornam nossa vida de alguma forma mais misteriosa. Talvez a pior razão seja a razão por si só. A razão que em vez de te fazer melhor, te amarra numa cadeira e diz: "Fique aí!"
Não é viável ser emotivo, mas também não parece ser interessante ser racional. Talvez o sentido dessa contradição seja a fuga do excesso. Talvez a solução pra esse impasse seja a busca do equilíbrio dos excessos, de todos os excessos opostos entre si. E isso de alguma forma corresponderia à infindável busca.

Geralmente quando buscamos algo e conquistamos, ou buscamos seu oposto depois, ou queremos mais do mesmo....qualquer que seja uma dessas atitudes, continua-se no excesso. Seria inteligente viver os excessos opostos e construir-se um novo ser? Talvez seja inteligente, mas não viável... o excesso é infinito, e os opostos sempre provam que há mais situações surpresas da vida do que vivemos e podemos imaginar... então a busca continua...

Por que eu, quero que as coisas da minha vida sejam previsíveis se a vida toda é cheia de imprevistos? Por que querer certeza do mundo quando eu não tenho certeza de mim mesma? Por que acreditar que a razão pode definir as pessoas se toda contradição é explicável? Nem sempre os braços mais fortes serão os que mais fortemente envolvem. Porque a força de um abraço está muito mais no coração do que em qualquer outra coisa.

Entre o medo e o desejo, às vezes me perco sem saber o que fazer...
Eu não vou sair correndo e nem vou ficar parada... Eu estou buscando meu equilíbrio...
Talvez o equilíbrio que eu busco não seja o equilíbrio que o mundo precisa... mas com certeza é o melhor de mim que eu posso dar ao mundo.

Fonte da imagem:
http://www.paramulheres.com/como-praticar-meditacao/
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