segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Vinho



Era como se ele sentisse sede... e eu também...
Pode alguém sentir medo de matar a sede? Estávamos temerosos como se pudesse ser o último gole ou uma garrafa cheia em que pudéssemos nos afogar...

Dizem que a nostalgia é algo bom, que nos dá esperanças de viver algo tão bom quanto o que nos deixou saudade... algo tão bom quanto... e não necessariamente a mesma sensação porque cada momento é único em si. Já disse Aquiles, é por isso que "os deuses nos invejam porque somos imortais e o que torna nossa existência prazerosa é a unicidade de cada momento".

Pois bem, você sente saudade de um tempo, às vezes se pergunta "e se..." mas já não lembra com detalhes e com o tempo desiste de perder seu tempo se perguntando "e se..." Às vezes você pode experimentar o gostinho do passado e diferentemente de todas às vezes que você tentou resgatar aqueles sentimentos e a sua sensação foi a mais vazia possível de pensar que não era como antigamente, você gosta mais do que antes e entende porque a saudade jamais passou...

É como se agora o vinho estivesse mais doce, não embebedasse e muito menos causasse ressaca...

O Segundo Gole...

Talvez Horácio não tivesse razão ao dizer que devíamos filtrar o vinho em vez de decantá-lo, o tempo sim, pode torná-lo mais doce, mais suave, mais viciante... Mas nem por isso menos entorpecente, ao contrário do que eu imaginava. Mas o que fazer com a sede? Com a sede que só aumenta após o primeiro gole? Talvez estivesse certo Cazuza ao dizer que "Se eu pudesse guardava tudo numa garrafa e bebia de uma vez..." Nada descreve minha vontade melhor que esta frase. É como se eu precisasse esvaziar a garrafa, torcê-la até a última gota, e como Horácio defendia, não me preocuparia com o amanhã: "carpe diem quam minimum credula postero."

Mas eu tenho medo do amanhã... não pelas consequências do que eu fiz... mas pelo que eu não fiz... No fundo eu me preocupo e planejo pequenas doses homeopáticas para que seja eterno... Mas não é possível ser ponderado com Dionísio, este jamais conheceu qualquer forma de inibição, e eu, que geralmente não penso pra falar, ao cultuar esse semideus, a situação fica um pouco pior. Além de não pensar pra falar, os raros pensamentos que eu tento manter em silêncio, exalam como o álcool e eu acordo me perguntando por que fui tão etérea...

2 comentários:

  1. Aquiles disse isso?! Fanfarrão! =P





    Estraguei a magia do texto HAHA... gostei desse.

    Se puder, dá uma olhada nesses contos que fiz depois, gostaria muito da sua opinião:
    http://caveiracinza.blogspot.com/search/label/N%C3%A3o-RPG

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