terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O rótulo

No início sente-se a necessidade de rotular. O padrão das novelas midiáticas de romance italiano infestam a cabeça dos adolescentes e você precisa definir o que sente, rotular o que vive, como se você e suas experiências fossem padronizáveis. Você começa a entrar em crise porque é simplesmente impossível padronizar pessoas diferentes, no máximo é possível gerar um nivelamento em que ainda há muitas divergências...

E as mocinhas assistem às novelas... e elas querem aquela paixão conturbada, flores e bombons todos os dias... A TV mostra o fútil, e elas acreditam que o fútil é a mais pura demonstração do verdadeiro amor... E vão se tornando cegas... Elas acham lindo ciúme exagerado... elas querem viver como numa novela... Por favor, desliguem a TV.

Alguns mocinhos, acreditam apenas no primeiro encantamento, há meninas que também perdem o resto da vida achando que apenas a primeira garrafa de vinho é capaz de embriagar e não bebem mais... Mas já dizia uma amiga minha que é impossível viver sóbrio... e você acaba experimentando outras coisas... uma vodka que só lhe rende uma puta dor de cabeça no dia seguinte... um mojito que não te faz flutuar mas refresca um dia de calor... às vezes toma um whisky mesmo que é pra esquecer tudo que já tomou e não valeu a pena...

De tanto experimentar bebidas diferentes você vai se desprendendo da maldita ideia de rotular as pessoas e os relacionamentos, outros infelizmente não, insistem na ideia de viver contos dignos de Benedito Ruy Barbosa e passam o resto da vida infelizes. Alguns se acostumam com a ideia de apenas engarrafar o vinho pra guardar as lembranças... sem rótulos... Estes começam a aprender como degustar um vinho... e, de fato, a desfrutar da vida.

Ah... Mas quem não sucumbe aqueles rótulos bem feitos? Feitos exatamente pra criar necessidades desnecessárias? Aqueles que se você tirá-lo da garrafa ninguém a compraria porque seu conteúdo está mais para um suco de uva mofado? É meu amigo... Rotular ou não rotular? Comprar com rótulo ou sem rótulo?

Nade...

4 comentários:

  1. Gostei bastante desses últimos textos.

    Acho que ainda é aquela coisa sua de transmitir um sentimento, desabafar ou criar um espaço íntimo de reflexão. Mas bem menos herméticos, que os outros.

    (Ou talvez é apenas seu "eu lírico" fazendo isso. Se for, foi mal pela falta de hermenêutica)

    Acho que agora você deixa a coisa fluir até o "leitor".

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  2. Os dilemas em si que são complicados de mais pra mim.

    Essa coisa de se perguntar (ou afirmar) se, ou que existe, um momento certo para determinada coisa, ou não. (A colheita?)

    Se vale a pena pular de cabeça em algo que desejamos que fosse, mas duvidamos que seja, real. ( O náufrago?)

    E se devemos deixar a visão "romanceada", "estereotipada" e "reducionista" que construimos em cima de certas pessoas para memória preservar ou admitir que isso é inevitável? (O rótulo?)

    Sei lá. Eu sempre sofri da esquizofrenia simplista de interagir com as minhas ilusões pura e simplsemnte como se elas existem.

    Então essas coisas não fazem sentido pra mim. Ou estou muito velho pra essa indagações ou muito novo.

    Ou as duas coisas.

    Enfim até aqui só entendi o que eu queria entender, e estou convencido que talvez os questionamentos dos seus textos fossem de uma natureza completamente diferente dos que coloquei aqui.

    Mas pelo menos sempre posso defender minhas interpretações ruins com aquela teoria da "morte do autor".

    Morra Aline! =)

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  3. PS: Ah! E estragando minha frase de efeito tosca em prol do comentário: abandone o álcool.

    Não na vida real. Mas nas metáforas literárias.

    Foram bem empregadas, mas caia na real.

    Você não está em Paris e essa decadência boêmia a la européia é terrivelmente "demodée". =D

    (Vou ouvir um monte por causa disso...)

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  4. q bom q tem gostado dos meus textos, acho q estou melhorando entao, e deixando "fluir" ate o leitor, coisa q sempre tive dificuldade.
    Esses tres ultimos textos fazem parte de uma novela q estou escrevendo q a primeira parte se passa em paris, portanto "a la europeia" talvez funcione rs, ou nao hehe. mas aqui no blog só estou postando a parte reflexiva dos capítulos, a parte narrativa nao pq como estou escrevendo fora de ordem, talvez nao faça mto sentido...
    alias "o vinho" tbm faz parte, e coloquei no mesmo post "o segundo gole" depois dá uma olhada.
    valeu pelos comentarios!!!
    vc é meu leitor/escritor modelo =P

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