domingo, 13 de fevereiro de 2011

Independência x Liberdade


Nasci não-livre. Nasci triste. Desde cedo aprendi a lidar com as burrocracias criadas por homens estúpidos que não tinham amor, ou se tinham, este havia virado rancor. Se há algo que me chateia é resolver burocracias diárias e atingir metas que não foram estipuladas por mim mesma. Pois bem, crescer faz parte do processo de se frustrar com o mundo e com si próprio. Até uma certa idade achamos que os culpados de sermos presos são nossos pais. Vem o anseio de sair de casa. Pensei erroneamente que ser independente deles me tornaria livre.

Mera ilusão! Independência e liberdade são palavras não sinônimas, sequer parecidas, e totalmente antagônicas. Quando você se torna independente você simplesmente se torna prisioneiro de si próprio. Você vende a sua liberdade para o primeiro que o faz acreditar na sua própria ilusão. Porque você aprende desde cedo que tudo tem um preço. Você troca sua liberdade por independência achando que assim será mais livre... mas não... você agora está preso às obrigações que lhe garantem a independência, e portanto, preso! Mas eu não quero viver num mundo que me segure, eu preciso de alguém que me empurre...

Ah! Essa caminhada é tão cansativa... Mas não é só feita de frustrações. Você cria um mundo a parte da sociedade. Ama na poesia, inventa um novo mundo na música. Sente o que é vergonhoso de sentir em público no seu mundo interior... Decora com as palavras e acordes que lhe bem agradam... Hoje eu vejo o quanto a necessidade burocrática, burguesa, idealista e frustrada da sociedade como um todo me podou de chegar ao meu plano superior. Retardou passos que nem por isso eu deixei de trilhar... No final das contas, troquei as frustrações de meus pais pelas minhas próprias frustrações... Mas ao menos agora elas são minhas, e eu faço com elas o que eu bem entender... Eu canto!

Me mostre alguém livre e lhe mostrarei alguém alienado de sua própria condição.

5 comentários:

  1. Não existe liberdade completa, e se existir com certeza é dolorosa.
    Nos vendemos a um certo preço e esse preço tem exigências, temos de ser políticos, polidos e chatos.
    Nos vinte e poucos que estamos, como as obrigações não são mecânicas fica mais difícil de achar o ponto de relaxamento.
    Mas tenho fé na gente, que o gostinho, mesmo que efêmero de liberdade ainda virá mais tarde.

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  2. Parece que quando a pena corre pelo coração seus textos crescem.
    Não penso que sejamos escravos de nós mesmo, e sim de um sistema, todo armado sobre o lucro, sobre os capitais. Querendo ou não estamos nisso.
    Obrigados ao trabalho duro pra não morrer de fome, à condução cheia pra poder trabalhar e não passar fome, ou solidão.
    A liberdade foi suprimida, mas o poder de escolha não. Podemos negar tudo isso, buscar alternativa; Mas para isso é necessário abrir mão dos pensamentos coletivos.
    O homem é um animal social e político?
    Neguemos a natureza.

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  3. Tati, sem dúvida a liberdade não é completa mas mesmo hoje já conseguimos alcançá-la em alguns pontos. Sobre o ponto de relaxamento que você comentou concordo muito, me inspirou ainda mais sobre o tema =)

    (Anônimo) gostei de sua insterpretação... é justamente o que tentei passar. Deixe email para contanto da próxima vez.

    Obrigada a todos pela visita! :D
    E não deixem de criar seus mundos "paralelos" não é porque não somos totalmente livres que não podemos ser nós mesmos...

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