terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ser Inquieto

Meu pensamento está titubeando entre "As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase" e "O que nós vemos das cousas são as cousas. Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?". Qualquer que seja o impasse o fato é que penso demais...
Talvez pensar seja um erro... Talvez não pensar também... O outro fato é que pensar sobre a humanidade não leva a lugar algum... O ponto é esse... Pense sobre tecnologia, economia, saúde... Mas não pense nas intenções... Por mais que ao primeiro abrir de olhos já haja uma intenção, não perca tempo com isso... O jeito é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo... Mas já abriram minha cabeça à forceps!
Às vezes me sinto esquisofrênica, medindo e calculando passos, prevendo estratégias, analisando palavras, expressões, cores... Tudo pra ver se consigo chegar às intenções... Mas nem mesmo sei quais são as minhas... Talvez haja uma variável inexplicável, talvez nem tudo tenha lógica e possa ser sistematizado... E aí José? Oh meta ousada!


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Autossabotagem



Nessa busca infinda por equilíbrio, tentei muitas vezes encontrá-lo, não fui bem-sucedida, me desequilibrei... Não era o que eu buscava... Parece que eu preciso viver nos extremos. O equilíbrio é que me entristece. Seja triste ou seja alegre, tudo que eu tenho certeza é que precisa ser intenso. Porque o que nos faz sentir vivos é a tensão, a dor de estar vivo.

E ainda nesse caminho do meio termo, muitas vezes me perdi nos outros, pelos outros, pelos meus objetivos, no mundo... Deixei de ser simples, deixei de ser humana e principalmente fraca... deixei de apreciar as coisas mais simples, as que possivelmente me trariam a felicidade, porque quando eu acabar de construir meu castelo... o que vai me faltar senão outro castelo sem utilidade?

Mas quando me olho no espelho às vezes vejo você e me pergunto... Onde você estaria? Quem seria você? Será que nunca aconteceria mesmo? Se a arte imita a vida por que nunca me aconteceu um fato inusitado? Sim, talvez aconteça todos os dias... Tudo está na forma de ver o mundo... E para construir meu castelo, antes de tudo eu construí um muro para que ninguém me atrapalhasse... Será que seria tarde demais derrubar o muro e construir uma grade pela qual eu possa ver o mundo e as pessoas possam ver meu sucesso depois que eu terminar o castelo?

Enquanto isso, você está anos a minha frente, já fez o mesmo percurso que eu ainda estou fazendo... No dia mais improvável você cruza meu caminho, eu estou totalmente despreparada e você me mostra que ainda sou frágil... Despe-me de mim mesma e me mostra quem eu realmente sou, ou melhor, que eu ainda posso ser quem eu quiser, até mesmo quem eu sempre fui... A sua aparência é contraditória e sólida enquanto a minha contradição está em construção. E apesar dessa cortina que você jogou em cima de si mesma, eu consigo enxergar dentro de você e me sinto segura, eu posso sentir quem você já foi, da mesma forma que você me mostrou que sou fraca... Eu estou seguindo o mesmo caminho e estou com medo. É como se agora, se você me desse a mão eu devesse continuar essa estrada árdua e se não, eu devesse derrubar o muro e deixar que as pessoas viessem me ajudar e quem quisesse atrapalhar que ficasse à vontade, pois eu não tenho mais tempo a perder.

Atualmente estou me perguntando até que ponto vale a pena deixar de ser eu mesma para construir meu castelo... Na verdade me sinto um pouco cansada de tudo isso... Sinto medo de meus objetivos não serem de fato o que eu realmente busco, ou mais que isso, que minha busca não é o que me trará felicidade...E descubro que você já tem seu castelo e, mesmo assim, ainda procura a felicidade todos os dias...

Além do muro eu tenho seguranças que no risco iminente do encontro comigo mesma, me preparam uma cilada para que eu faça tudo errado para eliminar qualquer possibilidade de envolvimento. Na berlinda entre a autossabotagem dos meus sonhos ou das minhas metas... Já estou no piloto automático, continuo com as minhas metas cada vez mais ousadas... O silêncio entre nós não incomodava, no fundo revelava quem realmente somos...

... o mesmo ser humano.
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